Mosteiro de São Bento da Bahia disponibiliza obras raras restauradas, digitalizadas: excelente trabalho filológico

O Mosteiro de São Bento da Bahia disponibiliza edições digitais online de obras raras do século XVI ao XIX.

O Mosteiro de São Bento apresentou o resultado do projeto de restauração e digitalização de livros raros de uma das mais importantes bibliotecas do Brasil. Ao todo, serão disponibilizadas ao público, na íntegra e de forma gratuita, 60 obras raras, dos séculos XVI ao XIX, que poderão ser acessadas pela internet, no endereço http://www.saobento.org/livrosraros. As obras passaram por um delicado e rigoroso processo de desinfestação, higienização e restauro, feito por uma equipe multidisciplinar de técnicos e pesquisadores do Mosteiro e da Faculdade São Bento da Bahia, com técnicas inovadoras de manuseio e conservação de papéis antigos. O projeto durou cerca de dois anos e contou com apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia/SecultBA, com investimentos de R$ 500 mil do Fundo de Cultura da Bahia.

“Um dos importantes destaques desse projeto é a diversidade do acervo. Não há somente obras de Teologia, como se pode pensar. Há livros de Medicina, História, Sociologia, entre outras disciplinas. Há textos em cinco línguas, muitos deles não identificados  em nenhuma outra biblioteca do mundo”, ressalta a coordenadora geral do projeto, Profa. Dra. Alícia Duhá Lose, filóloga e Coordenadora Geral do Centro de Pesquisa e Documentação do Livro Raro do Mosteiro de São Bento da Bahia.

Entre as obras restauradas e digitalizadas estão: a coleção “Obras Completas de Luiz de Camões”, edição crítica com as mais notáveis variantes, de 1873; o compêndio; “Cartas Selectas”, de Padre Antônio Vieira, de 1856; “Index Librorum Prohibitorum”, do Papa Bento XIV, de 1764 e “Historia dos Judeos”, de Flavio José, de 1793. Os mais antigos da lista são: “Cometario as Sentenças de Duns Scoto, do Fr. Nicolau de Orbellis”, de 1503 e “Suma Theologica Secundæ”, de São Tomas de Aquino, de 1534.

Uma das técnicas de conservação utilizadas foi a “desinfestação por atmosfera anóxia”, uma prática inovadora que ainda não havia sido realizada no Norte / Nordeste do Brasil. O método faz a erradicação de pragas sem uso de biocidas. Com a retirada total do oxigênio dos livros, os insetos são mortos por asfixia. A média de tempo utilizado no restauro de cada livro variou de um a três meses. “Há obras que pela sua complexidade, tipo de encadernação, ilustrações, entre outros aspectos, levou cerca de três meses para serem finalizadas. É um trabalho muito minucioso”, explica Alícia Duhá Lose.

Esta é a segunda etapa do projeto do Centro de Documentação e Pesquisa do Livro Raro do Mosteiro, com 40 novas obras digitalizadas. A primeira etapa, finalizada em 2010, disponibilizou 20 obras raras, entre elas destacam-se os seis volumes dos “Sermões” do Padre Antônio Vieira publicados no final do século XVII e início do século XVIII. São edições princeps, ou seja, primeiras edições revisadas pelo próprio autor, neste caso a principal referência na língua portuguesa no Brasil.

Outras obras únicas são “Seleção de Questões Disputadas sobre a Metafísica e os Ensinamentos de Aristóteles”, de 1685 e “Theatro Crítico de Freijó”, de 1876, dedicado ao “sereníssimo señor Infante de España Dom Carlos de Bourbon e Farnefio”, e a “Colleção dos Breves Pontifícios”, e Leys Regias, expedidos e publicados desde 1714.

O Mosteiro de São Bento da Bahia desenvolve relevantes pesquisas na área de restauração, preservação e edição digital de documentos. Em terras baianas temos bons exemplos de pesquisadores engajados nas Humanidades Digitais. 

Parabéns Profa. Alícia Dhuá Lose e sua equipe!alícia

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